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Extrato aromático

Este documento visa esclarecer os riscos potenciais para a saúde resultante do manuseio de lubrificantes que contém extrato aromático em sua formulação. A necessidade dessas informações é oriunda da utilização indevida desse tipo de óleo básico na fabricação de lubrificantes por parte de certos fabricantes de lubrificantes novos e recicladores de lubrificantes usados. Com isso pode estar presente em óleos de corte (contato freqüente com o operador das máquinas), graxas e outros tipos de lubrificantes. A motivação para esta atividade contrária a todas as regras de saúde humana no trabalho é o baixo custo. A presença do óleo aromático pode ser determinada em laboratório, porém isso nem sempre é viável. Em casos de suspeita, recomenda-se obter do fornecedor um documento atestando a ausência do óleo aromático nos produtos por ele fabricados. Embora isso não evite o uso do aromático, poderá servir como apoio numa demanda judicial que envolve reclamações trabalhistas por doença ocupacional.

O extrato aromático é uma mistura complexa de hidrocarbonetos, proveniente de processamento de um corte destilado pesado, do cru Árabe Leve. Na etapa de desaromatização, o solvente furfural extrai seletivamente da carga destilada compostos aromáticos, especialmente os polinucleados. Os produtos resultantes dessa extração, após recuperação do solvente, constituem:

– o óleo refinado que continuará sendo processado, para a obtenção do óleo básico lubrificante neutro pesado;
– o extrato aromático, que é indicado para aplicações que exigem alto poder de solvência, como, por exemplo, a fabricação de borrachas.

Como subprodutos da fabricação de óleos lubrificantes, os extratos aromáticos são classificados, em termos de sua atividade carcinogênica, pelos critérios estabelecidos para óleos minerais. Os critérios mais utilizados são:

– testes de aplicação prolongada na pele de cobaias (ratos). A International Agency of Research on Cancer (IARC), compilou em 1984, resultados de estudos em cobaias com os mais diversos produtos intermediários, subprodutos e produtos finais da fabricação de óleos básicos minerais, tendo concluído que os extratos aromáticos apresentam elevada atividade carcinogênica;

– testes de mutagenicidade em bactérias. Em 1983, Gary Blackburn adaptou uma técnica já difundida para outros produtos para avaliação do potencial mutagênico, o AMES test (Ames Salmonella mutagenesis assay) para a avaliação de frações de petróleo. O método, padronizado pela ASTM (E 1687/95), vem sendo aceito como previsor da carcinogenicidade de óleos minerais em função da boa correlação com os testes em cobaia e da sua simplicidade e baixo custo. Estudos publicados por Blackburn e outros autores, e, ainda, os resultados obtidos pela PETROBRÁS (tabela I), mostram que o extrato aromático é um produto mutagênico e, portanto, potencialmente carcinogênico.

– critério de composição. Teor de policíclicos aromáticos. A atividade carcinogênica dos produtos de petróleo está relacionada com o seu conteúdo de policíclicos aromáticos (PCA’s), visto que alguns deles são comprovadamente carcinogênicos (composto dom 4 a 6 anéis aromáticos, principalmente). O CONCAWE (Conservation of Clean Air and Water in Europe), organização européia de companhias de petróleo para proteção da saúde e do meio ambiente, recomenda como critério para a classificação de óleos minerais como potencialmente carcinogênicos o método IP 346, que quantifica compostos poli-aromáticos por extração com o solvente DMSO (dimetilsulfóxido). De acordo com o CONCAWE, óleos com resultado da extração em DMSO maiores que 3% (peso) devem ser comercializados com a advertência de que se trata de produtos potencialmente carcinogênicos. Os extratos aromáticos se enquadram entre os produtos com extrato em DMSO> 3%, devendo, portanto, receber este tratamento, quando comercializados no mercado europeu.

Assim sendo, levando-se em conta as informações apresentadas, conclui-se que o extrato aromático é um produto potencialmente carcinogênico. Pode causar câncer de pele se utilizado em condições precárias de higiene pessoal, com exposição prolongada ou repetida do produto. Deve ser usado com cuidado e todas as formas de contato devem ser minimizadas ou mesmo eliminadas.

Recomenda-se que, para produtos que contenham extrato aromático, o consumidor seja sempre informado sobre os riscos envolvidos na sua manipulação e os cuidados que devem ser tomados para um manuseio seguro.

Tabela I – Características do extrato aromático

Propriedade Método DAEa Extrato aromático (NP) b
Densidade a 15°C ASTM D 1298 0,95 – 1,03 1,0146 c
Viscosidade a 40°C, cSt ASTM D445 5-18000 1337
Viscosidade a 100°C, cSt ASTM D 445 3-60 28,06
Peso molecular ASTM D 2887 300-580 426 d
Teor de aromáticos, % peso ASTM D 2007 65-85 84,6 e
Extrato em DMSO (poli-aromáticos) % peso IP-346 10-30 19,4
Carbono aromático, % ASTM D 3238 – 51,3
Índice de mutagenicidade ASTM E 1687 – 4,7

a Extrato aromático oriundo do processamento de cortes destilados. Dados disponíveis no documento “Aromatic Extracts” – CONCAWE, Brussels, Maio 1992.
b – Valores determinados no CENPES/PETROBRÁS.
c Dados a 20/4°C
d Calculado
e Método SFC (Cromatografia em condições super-críticas).

 

 

 

 

Categories:   Lubrificação, Oleo

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