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Como julgar as propriedades de um lubrificante

Julgar as propriedades de um lubrificante sem instrumentos é como tentar descobrir a voltagem numa tomada sem voltímetro. Enfiar o dedo na tomada produz resultados imprecisos e até letais. Já no lubrificante os testes “chutométricos” não são perigosos, pelo menos para os seres humanos, mas, de qualquer forma, quando muito, são altamente imprecisos.

Se testes empíricos, no chão da fábrica, do tipo de pegar uma gota de óleo entre os dedos e declarar que “o óleo não tem viscosidade”, fossem válidos, as companhias de lubrificantes poderiam eliminar muitos químicos analistas e equipamentos de ensaio caríssimos.

Contribui para essa situação o fato que a aparência do lubrificante revela rigorosamente nada quanto a sua eficácia em serviço. Nada como um automóvel novo, no qual se chuta os pneus, se admira a cor, se descobre rapidamente a velocidade máxima, a arrancada, o acabamento e outras propriedades.

Sem equipamentos de ensaio mais ou menos complexos e sofisticados e gente qualificada para operar os instrumentos e interpretar adequadamente os resultados, é impossível julgar de antemão o que o lubrificante fará ou deixa de fazer na máquina (nesse caso com resultados até desastrosos para o lucro da empresa).

Nenhum técnico com anos de experiência em lubrificação se julga capaz de identificar ou qualificar um lubrificante apenas olhando para uma amostra num vidro. Poderá, sim, identificar variações óbvias como presença de água, sedimentos ou odores fortemente diferentes, mas mesmo assim não saberá distinguir um óleo de motor de um óleo hidráulico, por exemplo.

Por mais que se respeite a boa vontade e o que o “Zé do Óleo” , como muitas vezes é chamado nas indústrias, tenha aprendido nos anos de prática,  isso não substitui a formação adequada das pessoas que trabalham na área de lubrificação.

Porém a situação não é tão negra assim. Há alguns testes que o “Zé da Lubrificação” ou até um leigo possa fazer.

Um deles é o odor do lubrificante. Um odor picante ou de óleo queimado, indica indícios de forte oxidação. Um ensaio de laboratório poderá dizer se o lubrificante pode continuar em serviço ou não.

Outra propriedade que pode ser avaliada é a cor ou aparência do lubrificante, principalmente quando comparado com uma amostra de produto novo e garantido. Variações significativas podem sinalizar variações em propriedades importantes do lubrificante. Quando essa variação está em relação um lubrificante sem uso, essa variação pode ser inócua e causada apenas por uma variação corriqueira de algum dos componentes do lubrificante. Fornecedores idôneos têm por hábito informar, antes da remessa do produto, variações inócuas.

Basta dizer que a máquina a lubrificar não tem olhos nem nariz: variações inócuas nessas propriedades não afetam a confiabilidade da máquina.

Um óleo turvo geralmente indica a presença de água. Um teste de campo por crepitação confirma esta hipótese em poucos minutos. Óleo novo, corretamente transportado e estocado, com água, deve ser devolvido ao fornecedor. Óleo em uso, turvo, pode ser desidratado por medidas relativamente simples. Porém, conforme a aplicação, é recomendável verificar a ocorrência eventual de corrosão interna no sistema e/ou a continuidade da eficácia da proteção anti-ferrugem do lubrificante.

Um erro bastante comum é julgar a viscosidade pela cor do óleo. Óleo escuro parece ser mais viscoso em relação a um óleo claro, com igual viscosidade medida no laboratório.

Resumo: nada melhor do que pessoas especializadas em lubrificação para avaliar, no campo, baseado em indícios corretamente interpretados, as propriedades de um lubrificante e, quando for o caso, rejeitar produtos duvidosos antes que os mesmos causem prejuízos custosos nos equipamentos.

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