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Aceitação de Lubrificantes

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O seu fornecedor de lubrificantes envia com cada lote de produtos um certificado de análise. Apesar disso, podem ocorrer irregularidades e há á algumas maneiras de fazer um controle de aceitação de lubrificantes, baseados em observações visuais e olfativas.

Antes de tudo, convém formar uma “lubriteca” de amostras. Esta consiste em amostras representativas de cada lubrificante utilizado na indústria. Estas amostras devem estar em frascos de vidro transparente, preferivelmente estreitos para permitir certo grau de passagem de luz mesmo quando cheios de óleo.

Devem ser rotulados corretamente quanto ao tipo e marca comercial do lubrificante.

Deve haver ainda alguns frascos vazios, do mesmo tipo. Estes frascos serão cheios com amostra representativa do novo óleo adquirido. Compara-se este frasco com o correspondente frasco da “lubriteca”.

Não havendo nenhuma diferença notável, pode-se considerar não haver nenhuma diferença que requer uma atenção especial.

Estando a amostra do óleo novo turva, se deve suspeitar de contaminação com água. Esta água usualmente ingressa durante o transporte e/ou armazenagem inadequados (falta de proteção contra o ingresso de chuva). Em alguns casos especiais, principalmente em clima frio, uma turvação do óleo pode indicar a formação de cristais de cera. Esta turvação desaparece com um ligeiro aquecimento do óleo.

Se a causa for transporte inadequado até a sua empresa, se deve rejeitar o recebimento. Se a causa for estocagem inadequada dentro de sua própria empresa, o uso do óleo deve ser embargado até uma solução. Esta solução pode ser a devolução ao fornecedor, uma secagem dentro das instalações do usuário sob a supervisão técnica adequada, ou até o uso do óleo de maneira controlada em aplicações onde a umidade presente não resulta em defeitos.

Diferenças acentuadas na aparência deve ser motivo para embargar o uso do lubrificante e esclarecimentos por parte do fornecedor. Pode ser que a diferença seja apenas no aspecto, devido mudança de óleo básico e/ou procedência dos aditivos empregados. Um documento por parte do fornecedor com os devidos esclarecimento pode resolver a situação. Lembre-se: se esta mudança for permanente, mude também a amostra da “lubriteca”.

Por outro lado, a diferença na aparência pode ser devida também a erros de envasilhamento do óleo.

Outro teste é bastante subjetivo. É a verificação do odor do óleo. Vale lembrar que nem todas as pessoas têm a mesma sensibilidade olfativa. Óleos lubrificantes usualmente têm odor fraco e brando ou eventualmente um cheiro característico. No caso de um odor forte, diferente do original, se deve embargar o uso do mesmo até um esclarecimento satisfatório pelo fabricante do óleo (aceitação condicional, substituição).

Alguns óleos de corte possuem um cheiro característico proveniente dos aditivos. Quando este for muito acentuado, é possível que o fabricante tenha adicionado um re-odorizante para transformar um odor desagradável em odor aceitável.

Outro ensaio fácil é adicionar um pouco de água à amostra de óleo. Conforme o tipo de lubrificante, este óleo não deve misturar com a água (óleo hidráulico, engrenagens, turbina, por exemplo). No caso de óleo de motor altamente aditivado, deve ocorrer certo grau de mistura. Por outro lado, quando se trata de um óleo de corte solúvel, não misturar com água será indício de não tratar-se de óleo de corte solúvel (imediata rejeição).

Um teste típico para óleos de lubrificação de guias e barramentos é o teste do dedo (talvez a única circunstância em que este teste é válido). Uma gota deste tipo de óleo ao afastar os dedos deve formar fios, sinal da presença do aditivo de adesividade.

Cuidado ao querer julgar a viscosidade do óleo por comparação entre o frasco da amostra e o óleo recebido. É um teste altamente enganoso. Pequenas diferenças na cor (óleo escuro sempre parece mais viscoso) levam a enganos, assim como diferenças de temperatura.

Finalmente: antes de tudo é necessário que a amostra seja representativa. O óleo mineral tem baixa densidade, por isso, a maioria das impurezas que contaminam o óleo vai para o fundo. É necessário homogeneizar o óleo. Isso é feito agitando bem o vasilhame. É fácil agitar uma lata de um litro e até um balde com 20 litros. Agitar um tambor de 200 litros requer outra maneira. O melhor é rolar o tambor várias vezes no chão.

No caso de container de 1000 litros o jeito é colher uma amostra do fundo e no caso de entregas a granel o jeito é colher parte do primeiro óleo que sai do tanque.

O que é possível encontrar: aditivo que saiu de solução (raro), impurezas sólidas (contaminação do óleo durante a fabricação, transporte), água (contaminação durante a fabricação [raro], transporte e estocagem).

A contaminação por água é mais comum em tambores visto que estes não são totalmente estanques e permitem o ingresso de água acumulada no topo (água de chuva durante o transporte e estocagem) pela dilatação e contração do volume de óleo em função de variações de temperatura. Tambores usualmente recebem menores cuidados durante o transporte e estocagem do que baldes, bombonas e latas. Por isso é menos provável encontrar impurezas nessas embalagens menores.

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